Nota Editorial: Neste artigo profundamente pessoal, o autor Sérgio Mendes partilha a sua visão sobre o processo criativo de um escritor. Um manifesto que explora a sua inspiração para escrever livros, a dualidade na escrita para crianças e adultos, e a motivação para ser escritor que o define. Conheça o universo de um dos mais interessantes autores portugueses contemporâneos.
Escrever como Necessidade Vital: O Início do Processo Criativo de um Escritor
Escrever nunca foi, para mim, um exercício de vaidade ou de mero entretenimento. Nunca me revi naquele tipo de escritor que vê no romance apenas um artifício técnico, uma construção estética para agradar ao público ou à crítica. Desde o início, desde a primeira frase que arrisquei, a escrita impôs-se como uma necessidade vital — não no sentido figurado, mas no mais cru e biológico da palavra: escrever para sobreviver, escrever para não sucumbir ao silêncio interior, escrever para não enlouquecer diante do absurdo.
Motivação para ser Escritor
Há quem encontre na religião um abrigo, quem procure no poder ou na ciência uma justificação para a sua vida. Eu encontrei na literatura o único espaço onde era possível aguentar esta vida. A escrita tornou-se uma espécie de respiração suplementar, uma prótese existencial que me permitiu atravessar a dor, o vazio e a perda. E, mais do que isso, a escrita revelou-se como o único caminho de liberdade, o único gesto em que a obediência se transforma em insubmissão e a clausura em horizonte.
Escrevo porque não sei viver de outra forma. Escrevo porque, quando não escrevo, o mundo torna-se uma superfície opaca, sem fissuras, sem sentido. A palavra, para mim, é o golpe que abre essa superfície e permite entrever o que está por detrás: as sombras da memória, o peso da herança familiar, os fantasmas da história, as vozes da filosofia que me acompanham. Escrever é esse ato de escavar — escavar em mim e no mundo, até ao ponto em que ambos já não se distinguem.
Não se trata de confissão, no sentido banal da palavra, nem de catarse. A escrita não é purificação: é luta, onde a palavra é arma É um combate contra a amnésia, contra o silêncio decretado pelo gosto moderno e contra o esquecimento imposto pelas instituições. É também um combate contra a linguagem pronta-a-usar, contra as fórmulas que empobrecem o pensamento. Cada frase, cada parágrafo, é uma recusa de aceitar o que está dado. Talvez por isso a minha escrita se construa tantas vezes em tensão, no limite da resistência, entre a luz e o abismo.
Assim nasceram os meus livros. Não como projeto académico, nem como divertimento, mas como obras de vida. O Quarto da Mãe surgiu da urgência de lidar com a memória e a perda; Obediência nasceu do confronto com o poder, o corpo e a resistência; e o meu romance mais recente, ainda inédito, nasceu da necessidade de pensar a queda, o exílio e a redenção possível pela escrita.
Ao mesmo tempo, sempre senti a pulsão inversa: a necessidade de escrever também para crianças e jovens. Não como exercício menor, mas como prolongamento da mesma urgência. Se nos romances para adultos enfrento a morte, a dor, a submissão e a rebeldia, nos textos para crianças procuro cultivar o contrário: a imaginação, a esperança, a possibilidade de um outro mundo. Mas ambos pertencem ao mesmo gesto, como duas faces de uma mesma moeda.
Escrevo, portanto, porque preciso. Porque se não escrever, perco-me neste labirinto terreno. E, por isso, avanço para o mar, onde cada livro é uma tentativa de navegar o presente e contornar a morte, de arrancar à existência alguns fragmentos de sentido.

“O Quarto da Mãe”: A Intimidade da Perda e da Memória
Se tivesse de encontrar uma origem concreta para a minha escrita, um núcleo incandescente que me forçou a escrever, esse núcleo estaria no quarto da minha mãe. Não o quarto físico apenas, mas o que ele continha de segredo, de silêncio, de clausura. Foi a partir desse espaço íntimo, quase sagrado e ao mesmo tempo profano, que a minha literatura começou a nascer.
O quarto de uma mãe é sempre, para o filho, um espaço interdito. É o lugar da origem, mas também do mistério. O espaço onde a vida começou, onde o corpo materno se confunde com o mito. Ao escrever O Quarto da Mãe, tentei atravessar esse interdito. Não se tratava apenas de falar da figura materna, mas de encarar de frente a sua ausência, o seu desvanecimento, a sua transformação em fantasma.
Escrever esse livro foi, para mim, uma forma de não deixar a memória dissolver-se. Porque a memória da mãe é sempre fragmentada, ambígua, feita de amor e de ressentimento, de ternura e de ferida. Não quis idealizar essa figura, como tantas vezes acontece na literatura. Quis, pelo contrário, expô-la no seu despojamento: uma mulher marcada pela dor, pelas falhas, pela fragilidade. O quarto tornou-se, assim, uma espécie de teatro interior onde se representava a condição humana.
O livro nasceu também de uma experiência pessoal de perda. Quando a morte entra no quotidiano, quando a figura materna já não é presença mas ausência, resta-nos o silêncio ou a palavra. Eu escolhi a palavra. Escrevi para não esquecer, para preservar não a imagem ideal, mas a verdade dolorosa da relação. Nesse sentido, O Quarto da Mãe foi o meu livro mais íntimo, mais visceral.
Por detrás do Processo Criativo de um Escritor
Mas não foi apenas autobiografia. A literatura nunca é apenas relato pessoal. Transformar a dor em linguagem implica universalizar, procurar no singular o que há de comum a todos. Ao escrever sobre a minha mãe, escrevia também sobre todas as mães, sobre a condição da maternidade e da filiação, sobre a transmissão da vida e da morte. O quarto tornou-se metáfora: metáfora da clausura existencial, mas também do espaço onde se guardam os segredos, as memórias, os objetos que sobrevivem ao tempo.
Nesse processo, percebi que a literatura é também arqueologia. Cada página escrita era como uma escavação em camadas de pó e de silêncio. Cada frase arrancava ao esquecimento uma lembrança, um gesto, uma palavra nunca dita. E ao mesmo tempo, a escrita transformava essas lembranças em algo novo, em matéria literária.
Influências de Autores Portugueses Contemporâneos
Influências literárias acompanharam esse gesto. Lembro-me de ler Herberto Hélder e sentir que a palavra podia ser ferida, podia ser corpo; lembro-me de Thomas Bernhard, que me ensinou a não ter medo do excesso, da repetição, da obsessão. Lembro-me de Pessoa, que me mostrou que a identidade é fragmento e máscara. Todos eles estiveram presentes, de forma subterrânea, quando escrevi esse livro.
Ao terminar O Quarto da Mãe, percebi que tinha aberto uma porta que já não poderia fechar. A escrita não era apenas memorial, mas política, filosófica. Ao expor a intimidade, expunha também as estruturas de poder, de obediência, de silêncio impostas pela sociedade. Por isso, o livro seguinte já não poderia ficar apenas no espaço da casa e da família: teria de sair para o espaço público, para o corpo social, para o confronto com a ordem.
Assim, a partir da memória da mãe, nasceu também a necessidade de falar da obediência, da resistência e do corpo. Mas esse é já o território do livro seguinte.

“Obediência”: O Corpo, o Poder e a Resistência
Se O Quarto da Mãe foi um livro nascido da intimidade, da memória e da perda, o romance que se lhe seguiu nasceu da necessidade de enfrentar a realidade exterior, a violência do poder, as forças que moldam e deformam o indivíduo. Se no primeiro livro a morte materna servia de origem, em Obediência a questão já não era apenas familiar: era política, filosófica, existencial.
O próprio título enuncia a questão central: o que significa obedecer? Em que medida a obediência é condição da vida em sociedade, e em que medida é a sua negação mais radical? Sempre me fascinou essa tensão entre liberdade e submissão, entre a vontade individual e a ordem imposta. Desde cedo percebi que nenhuma vida se cumpre sem, de algum modo, enfrentar essa questão.
A obediência é um instinto aprendido. Desde crianças, somos ensinados a obedecer: aos pais, aos professores, às instituições, à lei, à religião. E em cada obediência há uma promessa de proteção, mas também uma renúncia: a renúncia a ser plenamente si mesmo. Foi essa ambiguidade que procurei explorar. O romance nasceu como uma interrogação sobre os limites dessa renúncia: até onde podemos ceder sem nos perdermos?
O corpo foi o campo de batalha dessa interrogação. Sempre me interessou a forma como o poder se inscreve nos corpos: através da disciplina, da repressão, da norma. Inspirado por leituras de Foucault, percebi que o corpo é o primeiro território colonizado pelo poder. A obediência não começa na mente, mas nos músculos, nos gestos, na forma como respiramos, comemos, trabalhamos. O corpo torna-se instrumento, e a alma aprende a curvar-se.
Foi por isso que, em Obediência, o protagonista é uma figura em constante luta com o próprio corpo: um corpo que deseja, que resiste, que se revolta, mas que é também domesticado. Essa luta interior reflete a luta social e política. Porque não existe submissão coletiva que não comece na submissão íntima.
Por detrás do Processo Criativo de um Escritor
Ao escrever este livro, quis encenar esse conflito de forma radical. Quis que a narrativa se tornasse quase um laboratório de experiências extremas: situações em que a personagem é empurrada para além dos limites, em que é obrigada a escolher entre ceder ou resistir, entre sobreviver obedecendo ou morrer tentando afirmar-se. Essa radicalidade não foi gratuita: era a única forma de colocar a questão no seu ponto mais intenso.
Mas Obediência não é apenas um tratado filosófico disfarçado de romance. É também um livro sobre o desejo. Porque o desejo é a força que rompe a ordem. O desejo é insubmisso por natureza. E, no entanto, é também aquilo que mais facilmente é capturado, manipulado, transformado em mercadoria. A tensão entre desejo e disciplina atravessa todo o livro. O protagonista é, nesse sentido, um corpo desejante em confronto com a máquina social que tenta moldá-lo.
A experiência de escrever este romance foi, para mim, profundamente transformadora. Se em O Quarto da Mãe ainda havia um certo pudor, um certo limite autoimposto pela proximidade da matéria autobiográfica, em Obediência libertei-me desses constrangimentos. Permiti-me escrever de forma mais crua, mais violenta, mais direta. O estilo tornou-se mais seco, mais agressivo, mais cortante.
Recordo-me de pensar, ao terminar o livro, que tinha atravessado uma fronteira. Que já não podia voltar atrás. Que a literatura, para mim, não poderia nunca mais ser apenas um exercício estético, mas teria de permanecer como campo de combate. A partir dali, a minha voz literária estava marcada: uma voz feita de tensão, de confronto, de insubmissão.
E, no entanto, Obediência não é um livro sem esperança. Porque mesmo na submissão, mesmo no corpo marcado pelo poder, existe sempre a possibilidade da resistência. Essa foi a lição que quis deixar. Que a literatura pode ser também um ato de insubmissão, uma recusa de aceitar o mundo tal como ele é.
Foi essa intuição que me conduziu ao livro seguinte. Depois da memória da mãe e da obediência imposta pelo poder, restava-me explorar a queda, o exílio, a redenção possível através da escrita. E assim nasceu o meu romance mais recente.

A Queda, o Exílio e a Redenção pela Escrita
Escrever o meu último romance foi, de certo modo, concluir um ciclo. Depois da intimidade dolorosa de O Quarto da Mãe e da violência política de Obediência, senti a necessidade de unir ambas as vertentes: o íntimo e o coletivo, a memória e a resistência, a dor e a esperança. Este romance foi, por isso, o mais ambicioso que escrevi até hoje.
A personagem central — um artista, um homem empurrado para os subterrâneos da cidade e da própria vida — tornou-se o espelho da minha própria experiência de escritor. Não no sentido autobiográfico direto, mas no sentido em que condensava todas as minhas obsessões: a luta com o passado, a perseguição do poder, a necessidade de fuga, a esperança num novo começo.
Lisboa é o palco principal da narrativa. Mas não a Lisboa turística, idealizada, cosmopolita. A cidade que emerge no romance é um labirinto de túneis, fábricas abandonadas, ruas em sombra. Uma cidade que é personagem e metáfora: metáfora do país, da história, da condição humana. A cidade como prisão e como possibilidade de fuga.
A escrita deste livro foi atravessada por uma sensação de queda. O protagonista cai: cai no abismo da perseguição, da violência, da solidão. Mas essa queda é também uma descida ao fundo de si mesmo. Como em Dante, é preciso atravessar o inferno para poder vislumbrar uma saída. O exílio que o personagem vive não é apenas geográfico, é existencial: é o exílio de quem não encontra lugar no mundo, de quem é forçado a reinventar-se.
E, no entanto, o romance não é um simples retrato da derrota. Pelo contrário, é uma afirmação da literatura como gesto de redenção. Porque é na escrita, e apenas na escrita, que o protagonista encontra uma forma de sobreviver. Ao escrever, transforma a queda em narrativa, o exílio em canto, a derrota em possibilidade de futuro.
O final do romance foi, para mim, um dos momentos mais intensos da minha trajetória como escritor. Escrevê-lo foi como encenar a minha própria despedida, mas também a minha própria reinvenção. O protagonista simula a morte para poder escapar. Finge o fim para poder recomeçar. E esse gesto é, para mim, profundamente literário: porque a literatura é sempre isso, uma morte e um renascimento, um fingimento que abre a possibilidade do real.
Ao terminar este livro, percebi que tinha encerrado um ciclo. Que a trilogia involuntária — memória da mãe, obediência ao poder, queda e exílio — estava concluída. E que estava, finalmente, preparado para começar de novo.
Motivação para ser Escritor
Esse novo começo será o meu próximo romance, já em preparação. Não quero ainda falar dele em detalhe, porque prefiro que a sua voz se revele por si mesma, quando chegar o momento. Mas posso dizer que nasce da mesma necessidade vital, da mesma urgência de pensar a condição humana através da ficção. Será um livro diferente, porque cada livro precisa de ser diferente. Mas será também, inevitavelmente, a continuação deste caminho que venho traçando.
No fundo, cada romance que escrevo é um capítulo de um mesmo livro maior: o livro da minha vida como escritor. E esse livro não terá fim enquanto eu tiver voz para escrever.

A Urgência de Escrever para Crianças e Jovens
Se os romances que escrevi até agora nasceram de uma urgência vital, de uma necessidade de enfrentar a memória, o poder e o exílio, a escrita para crianças e jovens surgiu-me como um contraponto indispensável. Não é um território menor, nem uma pausa lúdica entre livros sérios: é uma parte essencial da mesma pulsão de escrever.
Há quem imagine que escrever para crianças é apenas contar histórias com finais felizes, simplificar o mundo em cores suaves, afastar a morte e a dor. Para mim, não é isso. Escrever para crianças e jovens é uma responsabilidade maior, talvez até mais exigente do que escrever para adultos. Porque exige a capacidade de falar com clareza sem ser simplista, de criar imaginação sem cair no didatismo, de transmitir esperança sem mascarar a realidade.
Motivação para ser escritor
A minha experiência como professor aproximou-me dessa urgência. Ao lidar diariamente com adolescentes, percebi como o mundo lhes aparece em estado bruto: caótico, contraditório, por vezes cruel. E percebi também como a literatura pode ser, para eles, um espaço de respiração, de descoberta, de afirmação. Quando um jovem lê uma história e se reconhece nela, ou descobre nela uma possibilidade de vida diferente, algo se transforma. É como se a literatura fosse, para eles, uma iniciação.
Foi a pensar nisso que comecei a escrever para esse público. Obras como Nongens ou o projeto em desenvolvimento de Leonor e o monstro que comia lápis e de Ortigão, um unicórnio de estimação nasceram dessa vontade: criar histórias que não escondem a dureza da vida, mas que abrem sempre a porta da imaginação. Porque acredito que só a imaginação salva.
Dualidade na Escrita
Ao escrever para crianças e jovens, sinto que continuo a mesma luta que enfrento nos romances para adultos, mas por outros caminhos. Se nos livros adultos encaro de frente a morte, a obediência, o exílio, nas histórias juvenis procuro cultivar a semente contrária: a vida, a liberdade, o regresso a casa. Ortigão, o cão que sonha ser unicórnio, não é menos sério do que o homem em fuga no meu último romance. Ambos encarnam a mesma busca: a necessidade de ser amado, de encontrar um lugar no mundo.
Essa ponte entre os dois universos é, para mim, fundamental. Não existe um escritor para adultos e um escritor para crianças: existe apenas o mesmo escritor, com duas vozes diferentes. A voz que fala ao adulto é dura, crítica, por vezes cruel, porque o adulto já conhece a crueldade do mundo. A voz que fala à criança é mais aberta, mais luminosa, mas não menos verdadeira. É como se me dividisse entre o subterrâneo e o céu.
Além disso, sinto que escrever para crianças e jovens é também um gesto político. Num tempo em que tudo é consumo rápido, em que as novas gerações são constantemente capturadas pela distração e pela mercadoria, oferecer-lhes literatura é oferecer-lhes tempo, profundidade, imaginação. É dizer-lhes: “há outro caminho, outro ritmo, outra forma de viver”.
A filosofia para crianças, por exemplo, é uma inspiração constante para mim. Se nos romances para adultos converso com Schopenhauer, Nietzsche ou Wittgenstein, nos textos para jovens dialogo com a curiosidade, com as perguntas simples que abalam o mundo. Escrever para eles é devolver-lhes a capacidade de interrogar, de não aceitar respostas prontas. É ensiná-los, de forma poética, a pensar por si próprios.
Sinto que preciso de ambos os lados para continuar inteiro. Sem os romances adultos, ficaria preso apenas à esperança ingénua; sem a escrita para jovens, afogar-me-ia no desespero. A minha obra, vista como um todo, precisa desta tensão: o lado noturno e o lado diurno, a descida aos túneis e a subida à imaginação.
Motivação para ser Escritor
No fundo, escrevo para crianças e jovens pelo mesmo motivo que escrevo para adultos: porque acredito que a literatura pode mudar vidas. Pode não mudar o mundo inteiro, mas muda sempre um olhar, um coração, um destino. E isso basta.
Conclusão: A Literatura como Destino
Ao olhar para trás, vejo que cada livro que escrevi nasceu de uma urgência diferente, mas todos fazem parte da mesma necessidade fundamental: sobreviver pela escrita. O Quarto da Mãe foi a luta contra o esquecimento e a perda. Obediência foi a luta contra o poder inscrito nos corpos. O meu romance mais recente foi a luta contra a queda e o exílio, uma tentativa de encontrar redenção pela palavra. E a escrita para crianças e jovens é a luta pela imaginação, pela esperança, pelo futuro.
Se há um fio que atravessa tudo isto, esse fio é a convicção de que a literatura é insubstituível. Num mundo cada vez mais acelerado, onde a tecnologia ameaça reduzir a experiência humana a algoritmos e ecrãs, a literatura continua a ser o espaço da lentidão, da profundidade, do silêncio. Continua a ser o lugar onde podemos interrogar-nos a sério sobre quem somos e o que queremos ser.
Inspiração para escrever livros
Não escrevo para agradar a editoras, nem para satisfazer o mercado. Escrevo porque não sei viver de outra maneira. Cada livro é uma tentativa de compreender o que me escapa, de dar forma ao caos. E se alguém, ao ler, se reconhecer nessa busca, então a literatura cumpriu o seu papel. Espero, um dia, encontrar um editor que me respeita e compreenda.
No fundo, escrever é também deixar um legado. Não falo de glória ou de fama, mas da possibilidade de que um dia, alguém, talvez um jovem leitor, encontre numa página minha uma centelha que o ajude a resistir. Talvez seja esse o maior sentido de tudo: transmitir a chama, mesmo que pequena, a quem vem depois.
Por isso digo que a literatura não é para mim uma escolha, mas um destino. Escrevo porque fui escolhido pela escrita, e porque ela nunca me deixa em paz. Escrevo para adultos e escrevo para crianças porque ambas as dimensões são inseparáveis: a escuridão e a luz, o fim e o começo.
E sei que ainda não terminei. Cada livro fecha um ciclo, mas abre outro. O próximo romance, já em preparação, será a continuação natural desta viagem. Não sei ainda para onde me levará, mas sei que terá de ser lançado ao Atlântico. Porque, em última análise, só existe um motivo para escrever: a necessidade de navegar e continuar a escrever. Vivo ou morto.
Pontos-Chave do Processo Criativo de um Escritor
. A inspiração para escrever livros como uma necessidade de sobrevivência.
. A exploração da memória e da perda na obra adulta.
. A dualidade na escrita, equilibrando a densidade dos romances com a esperança da literatura infantil.
. A literatura como um ato de resistência e um legado para futuros leitores.
. A motivação para ser escritor segundo um dos mais interessantes autores portugueses contemporâneos.
Aqui, encontra toda a informação que explica a minha motivação para ser escritor, o meu desejo de escrever para crianças e jovens, bem como, a minha motivação como escritor de romances para adultos.

Caro Amigo Sérgio Mendes , até ao fazeres esta biografia , quase escreveste um novo livro .Cada vez te conheço melhor e fico contente , porque mal te conheci , só pela aparência,me deste logo a entender , que eras um livro aberto , de bom carácter e de bondade .Bem hajas e que continues a tua saga lutadora , vou acompanhando agora que te conheço, tipo central de futebol , atento as tuas movimentações escritas e não só .Grande Abraço
Fernando Jorge
Fjorgessilva @gmail
com